ICFUT – América Colorada pela segunda vez.

Fonte: O Estado de São Paulo

Inter vence o Chivas e conquista seu segundo título da Copa Libertadores

Time colorado faz 3 a 2, de virada, e vai com o troféu para o Mundial da Fifa, em dezembro

ANDRÉ AVELAR – estadão.com.br


Felipe Dana/AP

SÃO PAULO – “Glória do desporto nacional”. Esse é o Internacional, que honrou o seu hino e nesta quarta-feira, 18, no Beira-Rio, ficou com o título da Copa Libertadores. A segunda conquista da sua história veio com o 3 a 2, de virada, sobre o Chivas Guadalajara. Rafael Sóbis, Leandro Damião e Giuliano colocaram o time com a glória do troféu no Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, nos Emirados Árabes.

Para os colorados, esse segundo título era uma obsessão desde pelo menos 1995, ano em que o arquirrival Grêmio alcançou o mesmo feito – também venceu em 1983. De quebra, se igualou ainda a Santos (1962 e 1963) e Cruzeiro (1976 e 1977). Flamengo (1981), Vasco (1998) e Palmeiras (1999) têm um título cada um. O São Paulo ficou três vezes com o troféu (1992, 1993 e 2005).

Na vitoriosa campanha, o time ainda se viu em uma troca de técnico. Celso Roth substituiu Jorge Fossatti antes da primeira semifinal. Deu certo. Conseguiu oito vitórias, três empates e três derrotas.

Problemas. O “mar vermelho”, que tomou conta do Gigante mais uma vez, sofreu com a ausência de Alecsandro. O atacante não se recuperou de uma lesão muscular na coxa, sofrida ainda na vitória (2 a 1) do primeiro jogo. Rafael Sobis entrou no seu lugar. Mas o problema mesmo estava no ataque do outro lado: Bautista levou perigo ao goleiro Renan.

Guiñazu e, principalmente, D´Alessandro tentavam colocar ordem na casa. Quando o volante e o meia jogaram com a bola no chão, o time passou a organizar melhor as ações ofensivas.

Mas quem marcou mesmo foi o Chivas. Em uma bobeira da defesa colorada, Omar Bravo escorou para área e Fabian, de voleio, marcou aos 42 minutos da primeira etapa. Comemoração do time mexicano, um balde de água fria na equipe brasileira.

“Temos que tentar fazer dois gols”, disse Tinga, na saída para o intervalo, sem perceber que mais um apenas já resolveria. “Foi um descuido de nada, mas temos que voltar melhor para a segunda etapa”, prometeu o capitão Bolívar.

E para a etapa complementar o time realmente melhorou. Com seus cruzamentos precisos, Kleber passou a entrar mais no jogo. Taisson então também melhorou e até chegou a dar trabalho para o assustado goleiro Michel. Fundamental no esquema de Roth, Tinga só saiu de campo depois de um profundo corte na cabeça, causada pelo próprio companheiro.

Estrelas. Rafael Sobis, um dos que estava na conquista de 2006, mostrou novamente como se faz. Ele recebeu bola na área e dividiu com o Michel para solar para o gol. Comemorou isolado pelos companheiros e com uma dor no braço, devido ao choque com o goleiro.

Cansado, foi a última participação de Sobis no jogo. Nem precisava de mais. Em seu lugar entrou o jovem Leandro Damião, de 20 anos. O atacante roubou a bola no meio-campo, avançou sem marcação e tocou para o fundo das redes.

A torcida não teve dúvida e, sem medo, começou a gritar “é campeão”. Por pouco não viu o gol de Giuliano, seis vezes decisivo na competição. Ele se livrou de três marcadores para dar só um toquinho por cima do goleiro. Sem a menor cerimônia, foi comemorar com a torcida o título conquistado.

Muitos colorados nem viram, mas ainda sofreram um revés. Patricio Araujo aproveitou o rebote para marcar o segundo, no último lance do jogo. De nada adiantou, a festa em Porto Alegre já tinha começado. O capitão Bolivar levantou o troféu, entregue por Pelé. O pesar ficou pela vergonhosa confusão entre jogadores, armada no final do jogo.

 Intenacional3 – Renan; Nei, Bolívar  , Índio, Kleber; Sandro, Guiñazu, Tinga (Wilson Matias), D´Alessandro; Taisson (Giuliano) e Rafael Sobis (Leandro Damião). Técnico Celso Roth.

 Chivas2 – Michel; Magallíon, Luna  , Reynoso, Ponce (Escalante); Araújo, Baez (Vasquez), Fabián  , Bautista  ; Omar Bravo  e Arellano  . Técnico José Luis Real.

Gols – Fabian, aos 42 minutos do 1.º Tempo. Rafael Sóbis, aos 16; Leandro Damião, aos 30, Giuliano, aos 44; Patrício Araújo, aos 47 minutos do 2.º Tempo; Árbitro – Oscar Ruiz (COL); Público e renda – 53.124 pagantes e R$ 2.148.430; Local – Beira-Rio, em Porto Alegre (RS).

Troca de técnico marca a campanha vitoriosa do Inter

AE – Agência Estado

O Internacional conquistou nesta quarta-feira o seu segundo título da Libertadores. Dessa vez, porém, o roteiro foi bem mais sofrido do que o anterior. Diferentemente de 2006, quando ganhou o torneio com relativa comodidade – teve apenas uma derrota -, a equipe gaúcha viveu momentos turbulentos durante a campanha. Esteve à beira da eliminação e chegou a trocar de treinador. Mas, no fim, tornou-se a campeã.

Pensando principalmente na conquista do bicampeonato continental, o Internacional foi buscar em janeiro, no Equador, o técnico uruguaio Jorge Fossati, que faturou a edição de 2008 da Libertadores pela LDU. Além disso, manteve com muito esforço um dos pilares do time, o volante Guiñazu, que chegou a acertar verbalmente um compromisso com o São Paulo. Mas também contratou reforços importantes.

A equipe gaúcha terminou a primeira fase da Libertadores na liderança de sua chave, mas passou como o pior líder. Embora tenha ficado invicta, chegou à última rodada precisando vencer o equatoriano Deportivo Quito, no Beira-Rio, para assegurar a classificação. Venceu por 3 a 0 e pôde comemorar a vaga nas oitavas de final, quando encontraria o Banfield, da Argentina.

Diante do Banfield, o Internacional sofreu para se classificar. Perdeu o primeiro jogo por 3 a 1, na Argentina. Depois, em Porto Alegre, venceu por 2 a 0 e avançou por ter feito um gol fora de casa. Nas quartas de final, ainda mais emoção para o torcedor do time gaúcho: o adversário era o Estudiantes, também da Argentina, que tinha sido o campeão da Libertadores em 2009.

Em Porto Alegre, vitória do Internacional por 1 a 0. No jogo de volta, na Argentina, um tremendo sufoco: os argentinos terminaram o primeiro tempo já com vantagem de 2 a 0. A classificação viria novamente por causa do gol fora de casa, mas com requintes de crueldade para cardíacos. O meia Giuliano, que havia entrado no lugar de D”Alessandro, balançou a rede aos 43 minutos do segundo tempo.

Apesar da vaga nas semifinais da Libertadores, a campanha de altos e baixos custou a demissão de Fossati. O Internacional, então, tentou tirar Mano Menezes do Corinthians. Mas, diante da negativa, convidou outro técnico empregado: Celso Roth, que tinha acabado de chegar ao Vasco. Roth aceitou a proposta e desembarcou pela terceira vez no Beira-Rio ciente da pressão a que seria submetido.

Mas, contando com a paralisação do campeonato por causa da Copa do Mundo, Roth teve tempo para preparar o time. Assim, na retomada da Libertadores, o Internacional voltou muito mais forte. Tanto que eliminou o São Paulo num confronto equilibrado: vitória por 1 a 0 no Beira-Rio e derrota por 2 a 1 no Morumbi – ou seja, novamente se classificou pelo gol marcado fora de casa.

O mais surpreendente é que, depois de tanto sufoco ao longo do campeonato, o Internacional teve uma certa tranquilidade na final. Mesmo jogando no México, ganhou de virada do Chivas por 2 a 1. Com isso, precisou apenas confirmar o título diante de sua torcida, nesta quarta-feira, com mais uma vitória, desta vez por 3 a 2, em casa, apesar do susto de ter ido para o intervalo com desvantagem no placar de 1 a 0, que levava a decisão para a prorrogação.

Relembre a campanha do Internacional na Libertadores:

Fase de grupos

Internacional 2 x 1 Emelec (Equador)

Deportivo Quito (Equador) 1 x 1 Internacional

Cerro (Uruguai) 0 x 0 Internacional

Internacional 2 x 0 Cerro (Uruguai)

Emelec (Equador) 0 x 0 Internacional

Internacional 3 x 0 Deportivo Quito (Equador)

Oitavas de final

Banfield (Argentina) 3 x 1 Internacional

Internacional 2 x 0 Banfield (Argentina)

Quartas de final

Internacional 1 x 0 Estudiantes (Argentina)

Estudiantes (Argentina) 2 x 1 Internacional

Semifinais

Internacional 1 x 0 São Paulo

São Paulo 2 x 1 Internacional

Finais

Chivas Guadalajara (México) 1 x 2 Internacional

Internacional 3 x 2 Chivas Guadalajara (México)

Meta do Inter agora é ganhar o Brasileirão e o Mundial

GIULIANDER CARPES – Agência Estado

A normalidade vai demorar a voltar ao Beira-Rio. O título da Libertadores conquistado nesta quarta-feira colocou o Internacional em festa e ninguém se arrisca a definir uma data para a comemoração acabar. Mas o calendário não dá refresco. Ainda há o Campeonato Brasileiro e o Mundial de Clubes da Fifa pela frente antes do vitorioso ano de 2010 acabar.

A intenção do técnico Celso Roth ainda é poupar alguns jogadores para o reencontro do Internacional com o Brasileirão, neste domingo, diante do Atlético Goianiense, no Beira-Rio. Guiñazú, Tinga e Alecsandro, que sentiram lesões na véspera do jogo contra o Chivas, podem ficar de fora do jogo. Mas a diretoria confia que a vitória contra o lanterna do campeonato, em casa, no meio da festa pelo título continental, não é tarefa das mais difíceis.

A grande prioridade do clube passa a ser o Mundial no final do ano, em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos. O presidente Vitorio Piffero, no entanto, ainda sonha com o título brasileiro que o Internacional não conquista há 31 anos para fechar com êxito total sua passagem pelo clube – o mandato do dirigente termina no dia 31 de dezembro e ele não pode concorrer pela terceira vez.

“O título brasileiro é o sonho de todo colorado”, lembrou o dirigente. “Recentemente ganhamos o Mundial, agora reeditamos o título da Libertadores e já temos todos os troféus internacionais que poderíamos conquistar. Falta o Brasileiro, que já beliscamos algumas vezes nos últimos anos (o Internacional foi vice em 2005, 2006 e 2009) e temos time para vencer em 2010”.

NADA DE DESMANCHE – O Internacional está na sétima colocação da Série A, com 20 pontos e um jogo a menos (contra o Santos, na Vila Belmiro, que foi adiado), distante 12 pontos do líder Fluminense. Pelo menos tem a certeza de que não vai sofrer um desmanche. Ao contrário de 2006, quando cinco atletas foram negociados após a Libertadores, agora apenas Sandro já tem transferência definida – o volante vai jogar pelo Tottenham, da Inglaterra.

Além de Sandro, apenas Kleber tem chances de sair. Os direitos econômicos do lateral-esquerdo pertencem ao Grupo Sonda, que vai definir na próxima sexta se aceita proposta do futebol árabe pelo jogador. Já trouxe da Grécia o talentoso lateral Leonardo, ex-Portuguesa. “Não temos muito o que mudar até o Mundial. Vamos com um time forte tanto para o Brasileiro quanto para a competição do final do ano em Abu Dabi”, garantiu o vice-presidente de futebol Fernando Carvalho.

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