Por José Reis – Braço de ferro entre Palmeiras x Flamengo por Felipão.

Fonte: O Estado de São Paulo


Palmeiras x Fla: queda de braço por Felipão

Os dois clubes fazem ‘proposta atraente’ para que o treinador volte ao futebol brasileiro depois da Copa do Mundo

Bruno Lousada – O Estado de S.Paulo

RIO

Contratado por uma emissora de televisão sul-africana para comentar jogos da Copa do Mundo, Felipão pode passar um mês na África do Sul com outro emprego já garantido no Brasil. Só depende dele. Flamengo e Palmeiras travam uma disputa particular para anunciar ? talvez em breve ? a chegada do treinador pentacampeão com a seleção brasileira. Para trazê-lo, os dois clubes enfiaram a mão no bolso e, com a ajuda de patrocinadores ou investidores, ofereceram um salário altíssimo: mais de R$ 500 mil por mês.

O Palmeiras foi o primeiro a sondá-lo, logo após demitir o técnico Antonio Carlos Zago, em maio. A diretoria alviverde espera uma definição até amanhã, pois teme que a negociação se prolongue e o fim seja frustrante para todos, e desconhece que o Flamengo esteja no páreo.

Ontem, os dirigentes do Palmeiras se surpreenderam ao saber que o clube carioca estava perto de repatriar Felipão, que recentemente se desligou do Bunyodkor, do Usbequistão. “No início, era apenas um flerte, depois evoluiu para um namoro firme e agora estamos a um passo do casamento”, disse a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, ao blog do jornalista Renato Maurício Prado.

Segundo o assessor de Felipão, Acaz Fellegger, o treinador se irritou com o vazamento da informação, mas confirmou ter sido procurado em Lisboa por dois dirigentes do Flamengo ? Hélio Ferraz e Carlos Peixoto ?, que fizeram uma boa proposta de trabalho ? com contrato longo, possivelmente até 2012, fim do mandato de Patrícia Amorim.

Ainda de acordo com o assessor, Felipão respondeu ? assim como fez com a diretoria do Palmeiras ? que só daria uma posição oficial após a Copa da África por causa de questões familiares. Seu filho mais novo, Fabrício, acaba de ingressar na faculdade, em Portugal, e a mulher do treinador, Olga, gostaria de continuar na Europa.

Hélio Ferraz e Carlos Peixoto negaram a negociação e disseram que o treinador praticamente fechou com o Palmeiras. Peixoto chegou a dizer que o técnico do Flamengo é Rogério Lourenço e ponto final. Mas a história não é bem essa. Existe na Gávea uma corrente que defende a saída de Rogério para a aquisição de um profissional mais experiente.

Em entrevista concedida no fim de maio à Rádio Bandeirantes, Felipão disse que, se voltar ao Brasil, tem o compromisso com um dirigente de um grande time do País. Essa prioridade seria do Palmeiras. O Flamengo, logicamente, não se deu por vencido e vai usar o retorno de Zico ao clube, agora como diretor executivo, para seduzir o treinador.

Com Zico no comando do futebol, existe a perspectiva de dias melhores no Flamengo, com a reforma do Centro de Treinamento Ninho do Urubu, em Vargem Grande (zona oestedo Rio), e investimento pesado na formação de um grande time. Isso pode pesar na decisão de Felipão.

Com passagens por Chelsea e seleção de Portugal, Felipão ficou quase um ano no comando do Bunyodkor, do Usbequistão. Lá, participou de 43 jogos, com 31 vitórias, seis empates e seis derrotas ? um aproveitamento de 76%. Depois de tanto tempo longe do Brasil ? desde 2003 ?, vê com bons olhos o retorno ao País. Só não sabe em qual clube vai trabalhar.

ICFUT – Giro pelo futebol 09/06/2010

Fonte: Futebolinterior.com.br

Zagallo manda Maradona sentar no obelisco...è meu herói !!!


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Por Cleber Aguiar – Zagallo manda Maradona sentar no Obelisco.

Fonte: O Estado de São Paulo

Zagallo espera Brasil campeão e diz que Maradona terá de ‘sentar no Obelisco’ ao invés de correr pelado

Com um grande senso de humor, ‘velho lobo’ lamenta falta de Adriano na seleção brasileira, mas dá voto de confiança para o técnico Dunga

ANDRÉ RIGUE – estadão.com.br

Apesar de estar longe dos holofotes e da vida do futebol, a língua deste simpático tetracampeão continua afiada. Aos 78 anos, Mário Jorge Lobo Zagallo contou que acompanhará como bom torcedor o desempenho do Brasil na Copa do Mundo, e que espera que Dunga consiga repetir seu feito se tornando campeão como jogador e treinador.

Marcos de Paula/AE - 22/1/2010
Marcos de Paula/AE – 22/1/2010
Zagallo ao lado de seu busto no Maracanã

Famoso por frases polêmicas como “Vocês vão ter que me engolir”, ou “Ai sim, fomos surpreendidos novamente”, Zagallo não perdeu a oportunidade de dar uma cutucada na Argentina. Campeão em 1958 e em 1962 como jogador, em 1970 como treinador e em 1994 como auxiliar técnico, o “velho lobo” disse que espera ver Maradona “sentar no Obelisco” após uma eliminação.

Em entrevista por telefone ao estadão.com.br, Zagallo também contou que está chateado por não ter sido lembrado na organização do Mundial de 2014 no Brasil, e que ficou frustrado por Maceió não ter sido uma das 12 sedes escolhidas pela Fifa – a cidade construiria o “Estádio Zagallão” em sua homenagem.

estadão.com.br – Uma pergunta bem fácil. O Brasil ganha a Copa?
Zagallo – Você acha que eu vou responder outra coisa? Claro que é Brasil na cabeça, né?

Você foi campeão como técnico e jogador. Se o Dunga ganhar, repetirá este feito…
O Beckenbauer [
Alemanha] também foi. Torço para que o Dunga ganhe essa Copa. Será uma grande honra ter mais um brasileiro campeão como jogador e técnico…

O Dunga é durão mesmo?
O Dunga tem a maneira dele de ser. Mas é um líder, sempre foi… Não sei se você se lembra, mas em 1998 ele deu uma bronca no Bebeto [
por causa de um deslize no jogo contra Marrocos]. Depois juntou todo mundo e pediu desculpas. Isso dá para você sentir como ele é…

Dunga definiu o grupo e deixou Adriano de fora. Vai fazer falta?
Desde o início eu fui contra a não convocação do Adriano. É verdade que o Dunga o tempo todo expôs a disciplina como base. Agora se eu fosse o treinador da seleção, eu não abriria mão do Adriano. O que aconteceu no Flamengo [
fotos com traficantes, falta nos treinos] não é da batuta dele [Dunga]. Na seleção o Adriano nunca deu problema. E hoje o Brasil não tem um jogador com o mesmo biotipo dele.

E o Ronaldinho Gaúcho? Muitos não entendem o fato dele ter ficado de fora da lista…
Dentro do Barcelona o Ronaldinho foi um jogador de muita técnica, ganhou a Bola de Ouro e outros prêmios. Mas no meio-campo do Brasil não foi bem. Jogou bem só contra a Inglaterra [
Copa de 2002]. Ele não tem condições orgânicas para fazer a função de meia. Quando pega a bola, ele não volta. É como um atleta de 100 metros tentar correr uma prova de 10 quilômetros. Ele não tem o estilo que o Dunga quer para o esquema tático.

Todo mundo espera que o Kaká comande a seleção. Mas ele volta de lesão e…
O Kaká tem condições. Ele ficou machucado algum tempo, mas está se recuperando. Ele vai mostrar a plenitude da forma dele, vai crescer de produção. É a peça fundamental dentro do esquema de Dunga.

Em 2006 teve muito oba-oba…
Não foi isso. O que existiu de errado foi fazer um treinamento num campo em que as arquibancadas estavam vendidas para patrocinadores. Foi um oba-oba nesse sentido. Nunca tivemos problemas dentro de campo. A CBF vendeu um produto para ganhar dinheiro, e ganhou muito. Agora, tudo isso serviu de exemplo para essa Copa. A preparação foi em Curitiba, os treinos lá na África foram reservados… [
Zagallo foi coordenador de Parreira na seleção brasileira em 2006]

Espera alguma surpresa no Mundial?
Não espero muitas mudanças. Todo mundo está jogando um futebol parecido. É um bloco defensivo para as seleções mais fracas. Aqueles com mais condições vão ter de sair para jogar. Os menores vão ficar na defesa. Será assim…

A Argentina assusta? Maradona falou que correria pelado se fosse campeão…
E se perder ele vai sentar aonde? No Obelisco [
risos]… Honestamente, acredito no Brasil. Mas Argentina, Itália, Espanha e Inglaterra podem surpreender. São países fortes. E os argentinos têm talentos individuais. A Argentina das Eliminatórias ficou para trás. Será uma outra Argentina. Merece cuidado.

Já viu bola mais polêmica do que a Jabulani? Ela foi criticada por Júlio César, Robinho e Luis Fabiano. Bola é mesmo um fator de preocupação?
A bola é a mesma para os 32 participantes. Então, o que é para um é para o outro. Não tem diferença. Pode ser uma bola ruim, não sei, mas todo mundo vai ter contato com ela. Quem é técnico vai ter habilidade para dominar a bola.

E como será ver a Copa pela televisão?
Bom [
risos]. É torcer para o Brasil e se Deus quiser comemorar…

A Copa de 2014 está chegando… O que o Zagallo, homem de sete Copas no currículo, vai fazer no ano do Mundial no Brasil?
Nada. Até pouco tempo estava na CBF, e todo mundo falava de mim. Depois sai… Então falavam que eu iria ser nome de um estádio em Maceió, o Zagallão. Mas nem isso aconteceu [
a cidade não foi escolhida como uma das 12 sedes]. E não tenho convite para nada.

Por Silvana – Mandelas á brasileira na copa.

Fonte: O Estado de São Paulo

O Brasil no coração dos Mandela

Neto do líder negro revela que família torcerá pela equipe de Dunga, caso a África do Sul caia, e confirma presença do avô na abertura

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL, JOHANNESBURGO – O Estado de S.Paulo


Show incompleto. Mandela e seu neto Mandla (D); críticas a Dunga pela ausência de Ronaldinho

A torcida brasileira ganhou importante reforço. Toda a família de Nelson Mandela, principal líder da história sul-africana, revelou que vai torcer pelo Brasil caso os Bafana Bafana sejam eliminados. Os Mandela se dizem encantados com a história do futebol-arte brasileiro. Daí a explicação para terem escolhido o time pentacampeão entre as outras 31 equipes que disputam a Copa do Mundo da África do Sul a partir de sexta-feira. “Nossa família é apaixonada pelo futebol brasileiro. Desde Pelé, passando por Zico, Romário, Bebeto e todos os demais”, contou o neto de Mandela e porta-voz do clã, Mandla Mandela, ao Estado. “Em mais de uma ocasião assisti ao Brasil jogar com meu avô.”

Admirador de toques rápidos, dribles e jogadas de efeito, Mandla não perdeu a chance de dar sua cutucada no técnico da seleção brasileira, Dunga. “O que é uma pena é que Ronaldinho Gaúcho não tenha sido convocado. Ele traria um brilho diferente para a Copa”, declarou.

Napilise Mandela, sobrinho de Nelson Mandela, também confirma a admiração pela seleção brasileira. “Vamos torcer claramente pela África do Sul. Mas, uma vez fora, seremos todos Brasil entre os Mandela”, comentou o sobrinho.

Momento importante. O clã Mandela não esconde que a oportunidade de realizar a Copa do Mundo se transformou em um dos maiores momento para a história da África do Sul no cenário internacional. Uma chance para unir o país e expor a explosão de entusiasmo que só foi registrada no país há 20 anos, quando Mandela foi libertado da prisão mantida pelo regime racista do apartheid. Ontem, Mandla confirmou a presença do avô na abertura do Mundial, mas limitará sua participação a 15 minutos, quando saudará os torcedores e jogadores. “Não podemos colocá-lo sob risco. Ver toda uma partida de futebol, em pleno inverno, seria um desafio para sua saúde. Estamos buscando uma forma de garantir que o mundo sinta a presença de Mandela na Copa, e estamos negociando”, disse. “Como sul-africanos, queremos que ele viva o máximo possível.”

Líder precoce. Mandla se transformou no chefe do conselho tribal de Mvezo, vilarejo de onde veio Mandela e que nem sequer tem água encanada. Com apenas 36 anos, teve de assumir suas responsabilidades perante a tribo. “Aprendi muito com meu avô. Mas, acima de tudo, aprendi a ser humilde e que o esporte tem a capacidade de superar barreiras”, lembrou. “Ele lutou boxe em sua juventude e treinava entre 4 horas e 6 horas da manhã. Agora, insiste sempre em me dizer que minha barriga está grande e que preciso fazer esportes. A realidade é que meu avô sempre viu o futebol como parte do desenvolvimento humano. Ele fez questão de me dar minha primeira chuteira em 1984, quando ele ainda estava na prisão.”

O neto de uma das principais personalidades políticas da história também destaca o poder do esporte, principalmente o futebol, em unir o país. “Meu avô acredita que essa Copa do Mundo tem o poder de construir um país”, concluiu Mandla.

Por Cleber Aguiar – Conheçam a história do único jogador branco da África do Sul .

Fonte: O Estado de São Paulo

Fã do Santos Futebol Clube

Matthew Booth: um operário politizado no banco dos BAFANA BAFANA

Único atleta branco na equipe da África do Sul, zagueiro conquista torcedores com sorrisos tímidos, posicionamento político contundente e várias ações sociais com crianças. Ah, ele adora o Santos!

O Estado de S.Paulo

Todo treino da seleção sul-africana começa com um fugaz momento de apreensão, pelo menos para quem não acompanha as sessões de perto, no campo da Wits University, em Johannesburgo. Os jogadores descem do ônibus, em fila vão chegando e é aquele auê. Aplausos, vuvuzelas, gritinhos das garotas, gritões dos marmanjos. Mas basta o zagueirão Matthew Booth, o único branco da equipe, trazer o seu 1,98 m de altura ao gramado para se fazer silêncio e, segundos depois, vir das arquibancadas, em uníssono, um longuíssimo “buuuuuuuuuu”.

Seriam vaias a Booth, numa frustrante demonstração de que a nação arco-íris sonhada por Mandela não passa de um sonho? Nada. Um sorriso tímido e um aceno do jogador são suficientes para botar as coisas em seu devido lugar. Os fãs, na verdade, estão apenas celebrando o seu ídolo pelo nome: “Boooooooooth!”

“Adoramos esse cara, ele é muito especial para nós. Jamais o vaiaríamos”, conta Ngake Mogawane, de 59 anos, técnico do departamento de química da universidade e que ganhou a tarde de folga para ver os Bafana Bafana de perto. E por que os torcedores gostam tanto de Booth, hoje reserva do time do técnico Carlos Alberto Parreira? As palavras são poucas, mas dizem muito: “Porque ele gosta de nós”, resume Mogawane, aludindo aos 90% de negros que compõem a população local.

Aos 33 anos, cabeça raspada, olhos azuis e um queixo pronunciado escondido atrás de um cavanhaque loiríssimo e bem aparado, Booth, com o que diz e o que faz, tornou-se um símbolo da África do Sul pós-apartheid. Ele é casado e tem dois filhos com a modelo e finalista do Miss África do Sul, Sonia Bonneventia Pule, hoje Sonia Booth, nascida e criada em uma casa de dois cômodos em Soweto.

Com seu apelo de “casal sem-fronteiras”, algo ainda raro de se ver nas ruas do país, eles estão sempre juntos em anúncios de revistas e TV, além de manterem um programa social que leva livros e esportes a crianças pobres. Onde dá, mandam construir um campinho de grama artificial, porque, lembra Booth, na África do Sul não se pode desperdiçar água. “De fato, casais inter-raciais são incomuns no meu país. Mas são incomuns no mundo todo, não é?”, disse ontem, num sincero desejo de não querer misturar política com amor.

Zagueiro articulado. Quando fala de política, Booth entra de sola. Joga tão duro quanto dentro da área. Beque sério, de boa colocação, embora um pouco lento – por isso perdeu a posição no time de Parreira -, ele se antecipa bem às jogadas do ataque adversário e às perguntas sobre o poder da Copa de unir seu país como a final do mundial de rúgbi em 1995 (leia abaixo). “Eventos esportivos, em geral, aproximam as pessoas na medida em que elas acabam se sentando lado a lado nos estádios. Mas ao saírem dos jogos, umas vão para os bairros ricos e outras para as townships”, ele bate. “Unificação dos sul-africanos por meio do futebol são palavras meio vazias. Só estaremos unidos racialmente quando tivermos educação igual para todos, quando tivermos a mesma condição econômica. O esporte só une um país temporariamente.”

Jogos não. livros! As paredes do Southern Sun Grayston, o hotel da seleção sul-africana, sussurram que Booth é um dos poucos dos 23 atletas de Parreira, senão o único, que trouxe livros para a concentração. Ele passa a maior parte do tempo no quarto, lendo. Para o preparador físico Francisco Gonzáles, trata-se de um operário padrão: “Não perde um treino, não reclama de nada e está sempre de cara boa, mesmo tendo ido para o banco”.

O auxiliar de Gonzáles e sobrinho do treinador, Carlinhos Parreira, define Booth como um líder indireto: “Ele é tímido, fala pouco. Tem o respeito e a admiração dos demais pelo que faz no dia a dia, não pelo que diz. É um cara muito trabalhador”.

Agora, se vai jogar na Copa são outros quinhentos. Parreira não esconde: “Eu prefiro jogadores mais leves, mais soltos. Mas ele é ótimo, dedicado, experiente, jogou seis anos na Rússia e, se precisar, eu o coloco em campo com total confiança. Se fosse compará-lo com algum brasileiro, acho que ele lembra o Luisão, pela altura, pela presença na área e pela colocação”.

Esporte proibido. Nascido na Cidade do Cabo, Booth passou a infância e a adolescência sob o apartheid. Praticou rúgbi, tênis e críquete na escola só para brancos, onde o futebol não era permitido. Diz que, por sorte, havia no bairro um time amador, o Fish Hoek AFC, que não discriminava. Então, aos 5 anos, incentivado pelo pai e pelos tios, foi jogar futebol num ambiente racialmente diversificado. “Minha inspiração era Lucas Radebe”, conta ele, referindo-se ao compatriota negro que jogou no Leeds United, da Inglaterra, e disputou as Copas de 1998 e 2002 pela seleção sul-africana.

Empolgado em seu primeiro Mundial, que ele suspeita ser também o último por causa dos 33 anos, Booth conta que tem passado bons momentos na frente da TV vendo jogos do… Santos. Booooooooooth!

QUEM É
Nome: Matthew Paul Booth
Posição: Zagueiro
Natural: Cidade do Cabo
Idade: 33 Altura: 1,98 m Peso: 94 kg
Estreia na seleção: (20/2/1999)
Botsuana 1 x 2 África do Sul
Jogos pela seleção: 27
Gols pela seleção: 1 – sobre o Malavi nas Eliminatórias da Copa de 2002
Participação em Copas: 0
Clube atual: Mamelodi Sandowns (Johannesburgo)