Por Cleber Aguiar – Parreira vai para 8º Copa.

Fonte: O Estado de São Paulo

Na 8ª Copa, Parreira sente frio na barriga

Técnico comanda pela primeira vez a seleção anfitriã de um Mundial e diz que time está ‘pronto para boa performance’

Antero Greco – O Estado de S.Paulo

ENVIADO ESPECIAL
JOHANNESBURGO
Carlos Alberto Parreira tem 67 anos e já viveu extremos nos sete Mundiais de que participou: foi campeão com o Brasil (1970 e 1994) e demitido do cargo de técnico da Arábia Saudita na segunda rodada em 1998. Não deveria surpreender-se com as andanças do circo do futebol. Ainda assim, sente frio na barriga à medida que se aproxima a estreia da África do Sul na Copa de que será anfitriã. Vive dias de jovem à espera da primeira experiência.

“Não me importa o fato de ser a oitava Copa da minha carreira”, afirmou no final da tarde de ontem, após o treino no perfeito gramado da Wits University, na região mais nobre de Johannesburgo. “Nem penso no que já passei, nas disputas anteriores”, insistiu. “Parece que elas nunca aconteceram. Dá ansiedade como se jamais tivesse disputado um Mundial.”

O desafio de Parreira é também inédito. Nunca antes havia assumido o time da casa para dirigir numa Copa. Nas aventuras anteriores, ou entrava como franco-atirador ? foi assim com Kuwait (1982), Emirados Árabes (1990) e Arábia Saudita (1998) ? ou com o time favorito, como em 1994 e em 2006, ambas com a seleção brasileira. Agora, tem a responsabilidade de não decepcionar, com equipe teoricamente mais frágil do que França, México e Uruguai, rivais no Grupo A. Mesmo assim, o discurso é encorajador.

“Posso afirmar sem risco de errar que meu time está pronto para uma boa performance”, afirmou, em entrevista-relâmpago, após o treino, incentivado por centenas de torcedores e ao som de dezenas de vuvuzelas. “E está pronto do ponto de vista técnico, físico e psicológico”, reforçou. “Nos últimos três meses, cresceu a confiança da equipe e ela chega em forma no momento certo, o do começo da Copa.”

A seleção sul-africana sustenta invencibilidade de 12 jogos na arrancada final de preparação, computadas as apresentações que fez durante o estágio no Brasil. “Os jogadores têm consciência da responsabilidade, da esperança dos torcedores e não vão decepcioná-los”, avisou, em discurso incentivador. “Mais do que nunca, deixaremos a torcida orgulhosa”, em alusão à palavra proud (orgulho, em inglês) que há no lema do ônibus oficial.

Parreira tem clara noção de seu papel de representante dos anfitriões. O treino da África do Sul foi aberto, com segurança discreta e nada truculenta. Assim que viu repórteres brasileiros atrás do alambrado, saiu do gramado e veio cumprimentá-los. Avisou que não estava prevista coletiva, que não pretendia falar. Mas, após duas horas de exercícios e bate bola, com o frio da noite chegando e a imprensa à espera, abriu exceção. Gesto de cordialidade, que anda em baixa entre seus pares.

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