Fonte: A Tribuna de Santos
Disputa acirrada
X-9 é a grande campeã do Carnaval santista
De A Tribuna On-line
Vila Mathias e Padre Paulo vão para o Grupo de Acesso em 2012. Já a Brasil e a Real Mocidade subiram para o Grupo Especial.
Na avenida, foram avaliados os quesitos bateria, samba de enredo, harmonia, comissão de frente, evolução, mestre-sala/porta-bandeira, enredo, alegorias/adereços e fantasias. No total, 27 especialistas em música, dança e visual deram notas às agremiações.
Votação dos internautas
Em enquete de A Tribuna On-line com a participação de 2.902 internautas, a Unidos dos Morros liderou a votação, com 22% dos votos. Em segundo lugar, veio a Amazonense, com 20%. E em terceiro, a X-9, com 15%.
Punição
Padre Paulo, que defendia o bicampeonato, começou a apuração em desvantagem: terminou além do tempo máximo de uma hora e perdeu dois pontos. Situação semelhante ocorreu com a caçula Vila Mathias, fundada em 2008. A escola foi à avenida com uma ala de baianas menor do que o número mínimo de 30 previstos no regulamento e foi punida em 6 pontos. Ambas se apresentaram na segunda-feira, o terceiro e último dia de desfiles.
Público delirou com X-9
No último dia de desfiles, o destaque ficou por conta do casal de atores Alexandre Borges e Júlia Lemmertz. Alexandre, santista de nascimento, é filho do ator Tanah Corrêa, homenageado da última escola a desfilar na Passarela do Samba, a X-9. Diferentemente do que se costuma fazer, a vida dele não foi narrada no desfile. Serão exaltados os seus trabalhos e a influência de movimentos artísticos como o Modernismo e o Barroco na cultura brasileira.
Antes mesmo do desfile, o público já começou a delirar, quando Alexandre Borges, Júlia Lemmertz, Tanah Corrêa e boa parte de seus 10 filhos, mais os netos, dirigiram-se, pela avenida, à área da concentração. Alexandre, principalmente, parava e distribuía beijos, ao sabor dos acenos e dos gritos de “Jacques Leclair!”, que ecoavam das arquibancadas.
No último carro alegórico, fechando o desfile, a família Corrêa esbanjou simpatia e animação. Seguiu o enredo, que preferiu exaltar o trabalho de Tanah no teatro, ao invés de apenas narrar sua vida. Também relembrou sua ligação com a própria escola foi ele quem fundou, em 1976, a ala do teatro, que figura nos desfiles da X-9 desde então.
Confira a pontuação das escolas de samba dos Grupos Especial e de Acesso:
Grupo Especial
X-9 – 179,75
Unidos dos Morros – 179,5
Império da Vila – 179
Amazonense – 178,5
União Imperial – 178,25
Sangue Jovem – 176,75
Bandeirantes do Saboó – 176,25
Dependente do Samba – 174,25
Padre Paulo – 174,25
Vila Mathias – 172,50
*Critério de desempate entre a Bandeirantes do Saboó e a Dependente do Samba foi o casal mestre-sala e porta-bandeira.
Grupo de Acesso
Brasil – 179,25
Real Mocidade – 179
Unidos da Zona Noroeste – 177,25
Camisa Alve Negra – 176,25
Metropolitana – 151,25
Quebra-quebra
Escolas de samba de Santos contestam vitória da X-9
Patrícia Fagueiro
Após romperem a barreira que separava a torcida do espaço reservado à comissão organizadora e à imprensa, alguns manifestantes jogaram cadeiras e pedras em direção ao camarote onde se encontrava a comissão organizadora do Carnaval.
Homens da Guarda Municipal e da Polícia Militar entraram em ação. Em um dado momento, a polícia militar utilizou spray de pimenta para conter os revoltosos. A reportagem de A Tribuna chegou a ver um policial militar sendo acalmado por colegas para que não fizesse uso de cacetete.
Ninguém foi preso. Mas as detenções não estão descartadas, de acordo com o secretário municipal de Segurança, Renato Penteado Perrenoud. Ele estava no local, acompanhou toda a confusão e tentou conter os torcedores por meio da conversa.
“Se depender de mim, vamos prender todos os que foram filmados agredindo membros da organização. Jogaram cadeiras, deram socos e chutes”, afirmou o secretário.
Perrenoud disse que a confusão já era prevista. Por isso, 50 homens da Guarda Municipal foram destacados, além da Polícia Militar.
Tanah Corrêa
Os manifestantes acreditam que suas escolas tenham sido roubadas. Como justificativa, alegam que a X-9 é a escola de samba do secretário municipal de Cultura, Carlos Pinto, que também é amigo pessoal do homenageado pela agremiação, o diretor de teatro Tanah Corrêa. Outro motivo seria o último reinado de Babi, Rei Momo e membro da X-9.
Os rebeldes também creem que a presença do ator Alexandre Borges, filho do homenageado, no desfile atraiu mais mídia e que, dessa forma, a escola foi favorecida.
Ainda durante a apuração, os manifestantes xingavam os jurados a cada nota indesejada. Após o resultado, as ofensas foram direcionadas à organização do Carnaval e, principalmente, ao secretário Carlos Pinto. “Bando de sem vergonhas”, “vermes”, “vocês querem acabar com o Carnaval” e “roubados de novo” são alguns exemplos de dizeres publicáveis.
“Trabalhamos o ano inteiro. Existe preconceito contra o pessoal do morro”, disse Justino Guerreiro, diretor da Unidos dos Morros. “As alegorias foram as mais comentadas do Carnaval e perdemos justamente por elas”, disse Márcio Leonídio, diretor de Harmonia da Unidos dos Morros.
A presidente da Sangue Jovem, Solange Corrêa, diz que a sua agremiação foi “assaltada”, especialmente no quesito bateria (recebeu três notas 9,75).
“A Unidos dos Morros e a Amazonense fizeram um trabalho muito bom. Enquanto o xisnoveano Carlos Pinto continuar como secretário vai acontecer isso (suposto favoritismo da escola do Macuco)”.
Vale lembrar que o regulamento do Carnaval, em seu artigo 35, prevê que “não caberá qualquer recurso quanto às notas atribuídas pelos julgadores(…)”.




































